Donas de Casa Desesperadas

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Nessa Quarta-Feira foi ao ar o episódio final da primeira temporada de Donas de Casa Desesperadas, logo após o término do penúltimo da terceira temporada da série original – Desperate Housewives – que é exibido no Brasil pela Sony. Antes de qualquer crítica, devemos primeiramente aplaudir a coragem que uma emissora ainda recente e sem grande público teve ao investir mais de um milhão (segundo o próprio dono) em uma parceria com os estúdios da Disney. Não há dúvidas que muitas coisas deixaram a desejar, principalmente a contratação de muitos atores argentinos e, conseqüentemente, suas vozes dubladas, mas havemos de concordar que a atuação do hermano que protagoniza o Renê/Dani foi uma demonstração de como se deve interpretar um menino tímido, assustado, psicótico e com cara de bom moço.

A série havia sido muito criticada antes de sua primeira exibição, entretanto superou as expectativas do público e da crítica, que atualmente elogia a todo instante as atuações. Quanto a elas, muitos têm adorado a Lucélia Santos como Susan(a) Mayer, eu, no entanto, acho que ainda há o que melhorar; não é necessário fazer voz de criança para parecer destrambelhada. Também não apreciei a Tereza Seiblitz como Lígia Salgado, também muito elogiada; é que na versão original, a personagem tem muito mais fibra, é forte, e quando quer uma coisa fala direta e firmemente; na brasileira, a vida “zen” da atriz influencia, e as falas duras da personagem soam como se ela estivesse brigando e logo depois pedindo “por favor” e dizendo “quando e se você puder, é claro”. De pé, devo aplaudir entusiasmadamente o trabalho da Franciely Freduzeski que entende que a maldição da beleza e a forma desbocada que o papel de uma modelo envelhecendo exige devem ser representadas por um ironia nem tão fina nem tão deselegante. Em mesmo bom som, saúdo a Viétia Zangandi (como Elisa Fernandes) que oscila do perfeito ao humano muito bem e cuja última cena merece qualquer premiação que o Brasil possa dar (talvez o de maior credibilidade seja o Troféu Imprensa do Silvio Santos).

Ao fim do episódio que marcou média de 2 a 5 pontos (muito bom para RedeTV), a única coisa que pude pensar foi “Isso sim é dramaturgia! Isso sim é roteiro!”. É, de fato, um marco para a televisão ter uma verossimilhança e mimese tão boas. Não vemos nem na Globo nem na Record (muito menos no SBT) cenas como um homem sendo acusado de agressão a homossexuais com um diálogo como “quando bati nele, não sabia que era viado” e “vou ficar gorda que nem uma vaca em homenagem a sua mãe”.

Resta torcer pela execução de uma segunda temporada.
A reprise do último episódio vai ao ar no Domingo às 22h15min, logo após o Pânico na TV.

3 Comentários

  1. Diogo meu filho, não vejo essa versão como um marco não; ao contrário. Isso só mostra que o Brasil não é auto-suficiente pra gerir seus próprios roteiros, e temos cada vez mais séries nos moldes da comicidade pastelão. Aliás não vejo mimese ou verossimilhança na série, se é que ela acontece é em função do papel social ao qual cada dona de casa desesperada circula. Vês que nem mesmo conseguimos adaptar a série dentro da grandiosidade dinâmica que no original ela apresenta, às condições e caracterizações das nossas condições sociais… Ademáis acho falha essa idéia de mimese proposta pela poetica de platão, não consigo enxergar pluralidade na cópia ou mesmo representação de tal gênero.

    Embora eu esteja de pé ao concordar qunado se refere a algumas boas atuações e mesmo o fato de uma empresa nova como a REDE TV consiga tão cedo galgar caminhos independentes e com propostas até boas.

    Xero baixinho….

  2. Concordo com vc aí dos comentários e digo mais: Donas de Casa não presta!!!!!!!11

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