Emolização

EMOLIZAÇÃO

 

 Seja-lhe o termo estranho ou cansativamente conhecido, os emos estão ao seu redor. Como em todas as épocas, modas urbanas surgem em decorrência de um processo histórico-cultural. Outrora hippies, punks, metaleiros e até “boybanders” mantiveram-se por longo tempo, influenciando principalmente jovens desde manifestações artísticas a atos político-sociais.

Para os que ainda são leigos no tema, a palavra emo tem um histórico, do qual, embora a teoria de sua origem possa não ser de toda verídica, cabe-nos aqui mencionar. Crê-se que o processo que iniciou essa moda urbana foi senão a derivação musical do Hardcore: o Emotional Hardcore. Diferente do primeiro, o Emotional aderiu à “sonzeira pesada” (marca do Hardcore) guitarras mais leves, batidas mais lentas e um inconfundível lirismo. Com o tempo, o termo foi sintetizado à “Emocore” e o ritmo uniu-se a vários outros, principalmente ao punk e ao indie. Não se sabe exatamente como o vocábulo “emo” surgiu. Fora a teoria da abreviação de emocore para emo, diz-se que um fã em um show gritou “you’re emo” (você é emo) — inda que muito improvável, não descartemos a hipótese.

A grande probabilidade de este estilo musical ter vingado deve-se ao seu sentimentalismo exacerbado. Suas letras pessimistas, por vezes, extremamente depressivas, ao mesmo tempo refletem e agradam a geração de jovens hodierna: perdida no capitalismo, na globalização e na desestruturação familiar. Por esses motivos, acreditamos que seja reducionismo pensar que os emos sejam apenas pessoas sensíveis que possuem adoração por choro e suicídio — fatores que pensam serem motivos para dúvida de sexualidade — uma vez que são na verdade, em grande maioria, jovens confusos, sem personalidade que sofrem de depressão e têm tendência à bipolaridade. Com tantos traumas psicológicos não é difícil entender porque letras como “desculpe, eu não posso ser perfeito” e “eu só quero viver, não vou escutar o que as pessoas comentarão” tenham feito tanto sucesso.

A mídia fonográfica interessou-se pela grande estratégia de marketing (a emolização) que Lou Pearlman jamais descobrira ou a filosofia de vida que John Lennon e Yoko Ono não seguiram, fazendo disto (ou ainda mais) um objeto de vendas capaz de fazer com que milhares de jovens substituíssem seus ídolos coloridos do pop por franjas sobre os olhos, meias coloridas, pó branco, lápis de olho preto e, claro, suspensórios.

Um fato importante de ser ressaltado é o preconceito contra emos que acontece. Enquanto a humanidade grita aos quatro cantos como evoluiu e se desprendeu de valores antigos, tudo no mundo parece ser emo vs. anti-emo, ou você é ou não é, ou 8 ou 80, ou você escuta ou você odeia. O curioso é que esse tipo de perseguição contra correntes já se repetira várias vezes e que os perseguidores atuais (roqueiros, punks, “poppers” e até pagodeiros) já sofreram o mesmo. Paira no ar a dúvida de quando que a humanidade aceitará o novo sem discriminá-lo.

Sem a intenção de provocar esteriótipos, seguem aqui classificações de correntes emoísticas de teor apenas descritivo:

  • Emoidade: processo pelo qual púberes em conflitos psicológicos recorrem à moda com finalidade de tentarem ser compreendidos em letras melódicas. Ligam muito mais para a música, letras e ideologia do que para a aparência exótica.
  • Emodismo: conhecidos também como “emos-de-shopping”, esses são os mais odiados. São os causadores do esteriótipo emoístico. Adotam as roupas negras e penteados extravagantes, além de uma característica bastante peculiar: passam mais tempo em shopping centers do que em qualquer outro ambiente, embora não comprem, não trabalhem e nem se relacionem lá. São acusados de fakers (falsários). Mesmo os não-emos vêem que o problema não é ser emo em si, mas querer parecer/ser um a todo custo.
  • Anti-emoísmo: combatedores da moda urbana, não aceitam quaisquer explicações sobre seus alvos, apenas os perseguem em sites de relacionamento, bem como utilizam camisas, entre outros acessórios, que incitam a violência contra os emos.

 

 

Diogo Rafael Lemos

Estudante de Letras Português Inglês da Universidade Federal de Sergipe

Texto publicado no Jornal do Campus da UFS – Prof. Alberto Carvalho

  • Sobre Mim:

    Diogo Rafael Lemos é um estudante de Letras Português Inglês pela Universidade Federal de Sergipe e amante do mundo pop. Entre suas grandes fixações estão Ídolos, American Idol, Séries e Dido. Tem 20 anos, é meio carioca e meio baiano, e mora atualmente em Aracaju.
  • Caso artistas, gravadoras, filmadoras, redes de Tv etc. estejam desgostosos com a exibição de algo nesse blog, favor comunicar-me para que imediatamente seja retirada toda e qualquer música, imagem, vídeo, entre outros.
    Obrigado
  • Agenda

    • junho 2007
      S T Q Q S S D
      « fev   out »
       123
      45678910
      11121314151617
      18192021222324
      252627282930  
  • Pesquisar