Te vejo com quarenta!

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V: Você se acha muito complicado, um verdadeiro mistério profundo.
S: Bem, eu tenho muito o que dizer.
V: Demorou para perceber, mas… você não é tão especial.
S: Você só está procurando o que deseja encontrar, eu não sou isso.
V: Eu te vejo com quarenta anos: perdido e completamente sozinho. Sendo confortado por estranhos que você jamais se preocupará em conhecer.
S: Eu serei triste, então?
V: Você será triste porque acha que é legal ser triste. Acha que a miséria te destaca da multidão.
S: Eu sei que no meio de todos na rua, você me notaria.
V: Esta noite, eu percebi como desperdicei meu tempo. Por isso, eu irei embora.
S: Você voltará, eu sou único.
V: Você é apenas um menino, não é um homem. Eu não voltarei jamais.

 

Um pequeno diálogo entre a Vida e a Soberba

baseado em “See you when you’re 40” de Life for Rent da Dido

Esperança

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Eu estava triste, quase desesperei-me. Através da janela de um ônibus, pude ver uma senhora baixinha e corcunda usando um vestidinho branco de um tipo de feito de coco. Era até bonito, mas estava completamente sujo. Ela é uma mendiga quem vejo sempre que estou indo ao terminal do centro. Eu estava bem aterrorizado, pensando em o que faria. E ela ali, com suas várias sacolas bem arrumadas no canto da parede do banco do estado, a esteira em que dormia estava enrolada e ela varrendo a calçada como se fosse a sala de sua casa. As pessoas passavam e ela continuava varrendo; então pensei: “é esperança! Sim, porque se varre é porque cuida do que tem; quem cuida tem esperança ao menos de não perder o que já possui. E se ela tem tanta esperança, por quê eu perderei a minha por tão pouco?”

Donas de Casa Desesperadas

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Nessa Quarta-Feira foi ao ar o episódio final da primeira temporada de Donas de Casa Desesperadas, logo após o término do penúltimo da terceira temporada da série original – Desperate Housewives – que é exibido no Brasil pela Sony. Antes de qualquer crítica, devemos primeiramente aplaudir a coragem que uma emissora ainda recente e sem grande público teve ao investir mais de um milhão (segundo o próprio dono) em uma parceria com os estúdios da Disney. Não há dúvidas que muitas coisas deixaram a desejar, principalmente a contratação de muitos atores argentinos e, conseqüentemente, suas vozes dubladas, mas havemos de concordar que a atuação do hermano que protagoniza o Renê/Dani foi uma demonstração de como se deve interpretar um menino tímido, assustado, psicótico e com cara de bom moço.

A série havia sido muito criticada antes de sua primeira exibição, entretanto superou as expectativas do público e da crítica, que atualmente elogia a todo instante as atuações. Quanto a elas, muitos têm adorado a Lucélia Santos como Susan(a) Mayer, eu, no entanto, acho que ainda há o que melhorar; não é necessário fazer voz de criança para parecer destrambelhada. Também não apreciei a Tereza Seiblitz como Lígia Salgado, também muito elogiada; é que na versão original, a personagem tem muito mais fibra, é forte, e quando quer uma coisa fala direta e firmemente; na brasileira, a vida “zen” da atriz influencia, e as falas duras da personagem soam como se ela estivesse brigando e logo depois pedindo “por favor” e dizendo “quando e se você puder, é claro”. De pé, devo aplaudir entusiasmadamente o trabalho da Franciely Freduzeski que entende que a maldição da beleza e a forma desbocada que o papel de uma modelo envelhecendo exige devem ser representadas por um ironia nem tão fina nem tão deselegante. Em mesmo bom som, saúdo a Viétia Zangandi (como Elisa Fernandes) que oscila do perfeito ao humano muito bem e cuja última cena merece qualquer premiação que o Brasil possa dar (talvez o de maior credibilidade seja o Troféu Imprensa do Silvio Santos).

Ao fim do episódio que marcou média de 2 a 5 pontos (muito bom para RedeTV), a única coisa que pude pensar foi “Isso sim é dramaturgia! Isso sim é roteiro!”. É, de fato, um marco para a televisão ter uma verossimilhança e mimese tão boas. Não vemos nem na Globo nem na Record (muito menos no SBT) cenas como um homem sendo acusado de agressão a homossexuais com um diálogo como “quando bati nele, não sabia que era viado” e “vou ficar gorda que nem uma vaca em homenagem a sua mãe”.

Resta torcer pela execução de uma segunda temporada.
A reprise do último episódio vai ao ar no Domingo às 22h15min, logo após o Pânico na TV.

Que Carnaval é esse?

O Carnaval está longe de ser uma festa moderna; no passado era tido como o “‘adeus à carne’ ou ‘carne nada vale’ dando origem ao termo” (apud Wikipédia), atualmente consideraria um “bem-vinda carne” ou “a carne tudo vale”.

Não é a toa que o Axé Music é tão desvalorizado; sua musicalidade, na verdade, não é ruim, os artistas líderes possuem uma boa produção musical — vide Ivete Sangalo e Babado Novo que estouram em todo o país e são tidos como maiores ícones do Pop brasileiro no momento, mesmo não realizando um som Pop. Contudo, os shows, em especial as Micaretas, não invocam pessoas desejosas de apreciar a música; mas, o culto ao corpo e o entretenimento simples. Homens de sunga e corpos extremamente construídos em academias e Pré-Cajumulheres tapando apenas certas partes do corpo para fingirem que possuem se importam com alguma dignidade, cantando hinos de refrões facéis. Não afirmo que se preocupar com o corpo quanto a saúde e estética seja algo errado, tampouco nego que cada um possua a liberdade de vestir-se como quiser, todavia o motivo pelo qual essas coisas acontecem. É totalmente assustadora a promiscuidade que acontece durante o Carnaval e entendo completamente os pais conservadores que não libertam suas filhas para essa festividade; os homens agarram as mulheres à força e elas em movimentos fracos fingem não querer, e assim se constrói uma outra vez a figura do homem bruto e dominador e da mulher que aceita (parece exagero?). Rebolando em shorts e tops curtíssimos, as mulheres ensinam às adolescentes como se ocorre o ritual de acasalemento.

Eu, como um grande pseudo-baiano, adoro o carnaval, é a minha festa preferida do ano, entretanto, em meio a toda a minha euforia, observo de um lado os passos de “dança”, as armadilhas de sedução femininas e o predadorismo masculino, e, de outro, crianças (não-) ingênuas, dançando, sorrindo, vivenciando e internalizando o sexo APENAS como diversão (como a infância é roubada tão ferozmente e ninguém faz nada, se importa?). Mas será mesmo que eu devo observar, analisar e ser tão crítico, afinal o sexo é tão concernente ao homem quanto a nutrição; talvez eu esteja apenas envelhecendo e ficando mais e mais conservador, pois ao fim das contas dançar ao som de “na bundinha, na bundinha” é extremamente divertido e vale muito mais do que qualquer catarse que a arte pode oferecer(?)…

Muita coisa nova!

É, Que tal? de cara nova, espero que vocês gostem!
Agora os vídeos sugeridos estão em um player aí do lado, os links de músicas estarão aí, e em breve um álbum também. E atualizações mais freqüêntes.
  • Sobre Mim:

    Diogo Rafael Lemos é um estudante de Letras Português Inglês pela Universidade Federal de Sergipe e amante do mundo pop. Entre suas grandes fixações estão Ídolos, American Idol, Séries e Dido. Tem 20 anos, é meio carioca e meio baiano, e mora atualmente em Aracaju.
  • Caso artistas, gravadoras, filmadoras, redes de Tv etc. estejam desgostosos com a exibição de algo nesse blog, favor comunicar-me para que imediatamente seja retirada toda e qualquer música, imagem, vídeo, entre outros.
    Obrigado
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