Sexta-feira 13, dia oficial do azar. Mas quanto azar você tem?

Eu vinha aqui relatar que acredito estar sofrendo um período de uruca, tropeçando aos bocados e quebrando tudo o que toco, precisando de muito incenso de arruda, sal grosso e sessão de descarrego, mas a verdade é que uma série de acontecimentos simples me levaram a outra questão. O principal foi ter assistido o filme “Samantha e Nellie” (Samantha, An American Girl Holiday) pela Warner Channel, foi após isso que passei a refletir que azar é esse que eu penso ter.

Para quem não conhece, o longa relata um Estados Unidos antigo que comemorava a vinda do progresso: a instauração de várias fábricas. No início do filme Samantha, uma menina órfã que mora com sua avó rica em uma cidade do interior, cria uma amizade com uma menina pobre da região que possui três irmãs e um pai. O tio de Samantha se casa e a convida para passar um tempo com ele e a mulher em Nova Iorque. Durante esse período, Samantha escreve frequentemente para a amiga. Respondendo a uma das cartas, Nellie diz que não tem escrito muito porque o seu pai está com gripe e ela precisa trabalhar. Semanas se passam e nenhuma carta chega, até que uma da avó rica revela que o pai da amiguinha de Samantha morreu e que por isso Nellie e as irmãs foram levadas a um orfanato em Nova Iorque. O orfanato é um lugar horrível, frio, sujo e com direito a diretora que desvia verba e tudo. Samantha, a burguesinha politicamente engajada, traz as meninas para casa e as esconde no sótão.

É um drama muito bem construído. Embora tenha o formato de contos de fada, há fatos de alta relevância e crítica social. A tia de Samantha é feminista e há um foco bem grande no problema do trabalho infantil. Nellie se vê obrigada a trabalhar em uma fábrica, manuseando máquinas de costura, sem nenhum direito trabalhista. Já encaminhando-se para o final do filme, Samantha no concurso de oratória faz um discurso simples e bonito, questionando o que seria progresso. Em meio a uma sociedade em que crianças passam frio, não vão à escola e têm de trabalhar dia e noite, as fábricas são o progresso?

Em “Os mutantes: caminhos do coração”, Gór, uma das grandes vilãs, em conversa com a super doce menina da cura Clara, conta o seu passado sem família. “Você teve família, garota. E quem tem lar, tem tudo”

Como se não bastasse, no artigo sobre melodrama do meu amigo Marcelo Mendonça, li sobre o grande problema pós-moderno da desestruturação da família e da parede de vidro muito bem representados no clipe de “Confessions of a broken heart (Daughter to father)” da Lindsay Lohan do álbum A little more personal.

Depois de tudo isso, eu fico só pensando… quanto azar que eu tenho mesmo?

Ê Brasil cuidadoso!

 dengue.jpg

Ontem veio uma moça para observar focos da dengue pela região. Ela entrou em minha casa, teve medo de meus cachorros e fingiu que olhava alguma coisa. Ela não fez extremamente nada! Até fazer a chatice de falar pela milhonésima vez como evitar a dengue (que eu pacientemente ouviria) que ela deveria ter feito, não fez. Ainda tem muita gente desinformada, por mais que saia na TV. A única coisa que ela perguntou foi onde ficava a ficha de controle de dengue para assinar.

Entendendo que ela não faria nada, eu disse que em um surto de dengue passado, todos de minha casa e vizinhos em geral ficaram com dengue e que acreditávamos ter um foco por perto. Ela, num ato bem sábio, disse que como já conhecemos os sintomas, se ficarmos doentes, devemos ir ao médico. Ó, claro, se ela não falasse! ‘¬¬. Depois perguntei sobre o carro (que eu pensei que se chamasse “fumaceiro”) fumacê, se havia a possibilidade de pedir a prefeitura que enviasse, já que há a possibilidade de um foco pela região. Ela disse, entre milhões de “né?”, que esse carro só passa em locais em que várias pessoas já ficaram doentes e que se eu ligasse não passaria, a menos que nós ficássemos doentes e a prefeitura soubesse.

carro_fumace.jpg (Não na minha cidade)

Isso é Brasil, sempre remediando. Não é mais fácil eles passarem o carro, ao invés de sobrelotarem os postos médicos? Isso chama-se compensação.

Vão mudar o slogan para “somos brasileiros e não morremos nunca”?

Te vejo com quarenta!

dialogo.jpg 

V: Você se acha muito complicado, um verdadeiro mistério profundo.
S: Bem, eu tenho muito o que dizer.
V: Demorou para perceber, mas… você não é tão especial.
S: Você só está procurando o que deseja encontrar, eu não sou isso.
V: Eu te vejo com quarenta anos: perdido e completamente sozinho. Sendo confortado por estranhos que você jamais se preocupará em conhecer.
S: Eu serei triste, então?
V: Você será triste porque acha que é legal ser triste. Acha que a miséria te destaca da multidão.
S: Eu sei que no meio de todos na rua, você me notaria.
V: Esta noite, eu percebi como desperdicei meu tempo. Por isso, eu irei embora.
S: Você voltará, eu sou único.
V: Você é apenas um menino, não é um homem. Eu não voltarei jamais.

 

Um pequeno diálogo entre a Vida e a Soberba

baseado em “See you when you’re 40” de Life for Rent da Dido

Esperança

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Eu estava triste, quase desesperei-me. Através da janela de um ônibus, pude ver uma senhora baixinha e corcunda usando um vestidinho branco de um tipo de feito de coco. Era até bonito, mas estava completamente sujo. Ela é uma mendiga quem vejo sempre que estou indo ao terminal do centro. Eu estava bem aterrorizado, pensando em o que faria. E ela ali, com suas várias sacolas bem arrumadas no canto da parede do banco do estado, a esteira em que dormia estava enrolada e ela varrendo a calçada como se fosse a sala de sua casa. As pessoas passavam e ela continuava varrendo; então pensei: “é esperança! Sim, porque se varre é porque cuida do que tem; quem cuida tem esperança ao menos de não perder o que já possui. E se ela tem tanta esperança, por quê eu perderei a minha por tão pouco?”

  • Sobre Mim:

    Diogo Rafael Lemos é um estudante de Letras Português Inglês pela Universidade Federal de Sergipe e amante do mundo pop. Entre suas grandes fixações estão Ídolos, American Idol, Séries e Dido. Tem 20 anos, é meio carioca e meio baiano, e mora atualmente em Aracaju.
  • Caso artistas, gravadoras, filmadoras, redes de Tv etc. estejam desgostosos com a exibição de algo nesse blog, favor comunicar-me para que imediatamente seja retirada toda e qualquer música, imagem, vídeo, entre outros.
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